domingo, 27 de setembro de 2015

Nem todo problema de comunicação é da Comunicação

Isso significa que a Comunicação não tem qualquer controle sobre a comunicação, mas, como uma área que a tem em seu próprio DNA, ela pode muito bem pegar para si a função de desenhar fluxos e construir e animar redes




Quem nunca ouviu a frase: ‘ isso é um problema de comunicação’. O tema ao mesmo tempo que é simples, daria uma tese de pós-doutorado...

Fato é que muitos dilemas do dia a dia se desencadeiam por falta de (ou falhas na) comunicação interpessoal. No ambiente corporativo não é diferente, a ausência de diálogo entre as pessoas, as conversas truncadas e a propagação de informações por meio da rádio-corredor colaboram para o surgimento de problemas de comunicação. Esta comunicação não oficial entre os profissionais é o que se denomina comunicação informal. Para uma Comunicação Organizacional transparente e de sucesso, é preciso desvendar a comunicação informal e integrá-la o máximo possível à comunicação formal.

A especialista em comunicação com empregados, Viviane Mansi, em seu livro “Comunicação, Diálogo e Compreensão nas Organizações”, no blog Comunicação com Funcionário e em diversas entrevistas que concedeu a blogs e portais de comunicação, enfatiza o quanto o caminho do diálogo é importante [o que não significa que seja fácil]. “Manter essa conversa aberta, mesmo que às vezes ela seja dura, traz consciência sobre onde estamos e para onde vamos e nos dá chance de sermos protagonistas de nossas decisões”, enfatiza Viviane. E esta conversa aberta serve tanto para gestores imediatos terem com sua equipe, como entre profissionais, entre a alta liderança e os gestores imediatos, enfim serve para todas as pessoas que compõem a companhia.

É necessário ter em mente que não há canais, campanhas ou ações de Comunicação e Recursos Humanos que resolvam dificuldades relacionadas à falta de comunicação face a face e escassez de diálogo entre as pessoas. Essas áreas podem e devem realizar ações que colaborem para que obstáculos como esses não sejam recorrentes, mas possuem limitações em relação a fatores que fogem de seu alcance.  

Fábio Betti, consultor especializado em Comunicação de Liderança e Cultura de Diálogo exemplifica bem a diferença entre comunicação com caixa baixa e Comunicação com caixa alta: “Comunicação com caixa alta é uma área. Já comunicação com caixa baixa é uma habilidade inerente a todo ser humano. Alguns se tornam melhores comunicadores que outros, mas todo e qualquer ser humano pode ser um excelente comunicador sem que precise fazer qualquer curso ou trabalhar na área. Isso significa que a Comunicação não tem qualquer controle sobre a comunicação, mas, como uma área que a tem em seu próprio DNA, ela pode muito bem pegar para si a função de desenhar fluxos e construir e animar redes de comunicação por toda – e além da – organização”.

Assim, tendo como foco melhorar os fluxos de comunicação da empresa, a área de Comunicação se torna mais estratégica do que ferramental, em vez de mera produtora e disseminadora de conteúdo oficial (o que também é importante), ela passa a contribuir para a construção de espaços, além de oferecer técnicas e ferramentas para o diálogo genuíno e transparente.

Enfim, nem todo problema de comunicação é da Comunicação, mas é possível trabalhar para amenizar e até mesmo evitar ruídos de entendimento e escassez do bom e velho bate-papo olho no olho. Cabe a nós, profissionais de Comunicação, buscarmos essa abertura junto a alta liderança.



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