domingo, 27 de setembro de 2015

Metacognição: pensar sobre o próprio pensar para mudar

As mudanças verdadeiras passam pela mudança na própria forma de pensar




As transformações nos vários campos do saber são inúmeras, surgindo temas como: transgênicos, mapeamento genético, física quântica, inteligência artificial, cura genética, neurociência, novos planetas, nanotecnologia, celulares sofisticados, entre outros.

Para a pesquisadora, escritora e Doutora em Letras pela PUC (RJ), Valéria Cristina Pereira: “os programas apresentados para a manutenção e/ou desenvolvimento das organizações, supõem um indivíduo constantemente preparado para a recepção e compreensão dos itens estabelecidos por tais programas, como, por exemplo, a consciência para perceber maneiras de resolução das dificuldades encontradas no ambiente de trabalho e aprendizado contínuo. Porém, tais programas não mostram aos indivíduos formas de aperfeiçoamento desta consciência [...]”.

A escritora continua: “como desenvolver esta consciência? Como adquirir autonomia e acesso à informação? Como aprender a aprender de forma crítica? Como alcançar leituras e linguagens para muitos inacessíveis? Como manter o desenvolvimento desta consciência no cotidiano e na dinâmica das organizações? Os programas não respondem a tais perguntas, à medida que não exploram a força de potência individual e a prática do desenvolvimento da consciência [...]”.

Frente a essa complexidade apresentada pela estudiosa e levando em consideração que vivemos na Era da Informação e do Conhecimento, pensar e aperfeiçoar o próprio pensar (metacognição) se reflete, entre outros aspectos, na comunicação, nas linguagens e nas suas leituras diversas, gerando ações mais assertivas. As mudanças verdadeiras, seja em qual esfera for, sendo o indivíduo o principal agente modificador, passam pela transformação na forma de pensar. Em outras palavras, passam “pelo pensar sobre o próprio pensar”, o que por sua vez implica em criatividade.    

No que tange ao próprio pensar, o sociólogo Edgar Morin com a sua teoria do “Pensamento Complexo” e os estudos sobre “Criatividade e Pensamento Lateral” do psicólogo Edward de Bono (ver meu artigo intitulado Creativity e Pensamento Lateral) vão ao encontro dos estudos da pesquisadora e Doutora no tema Valéria Pereira, assim sendo, nos lança uma luz à questão.

Para Edgar Morin, a concepção da necessidade do modelo de pensamento complexo advém das revoluções provocadas nas ciências com a Teoria da Relatividade (Albert Einstein afirmou que tempo e espaço são relativos e estão profundamente entrelaçados) e da Mecânica Quântica (segmento da física moderna que estuda o movimento das partículas muito pequenas, mesmo de limites muito imprecisos, dos quais começam a notar efeitos como a impossibilidade de conhecer com infinita acuidade e ao mesmo tempo a posição e a velocidade de uma partícula).

Em linhas gerais, tanto a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica já haviam obrigado as ciências a reverem suas doutrinas e Leis (que até então eram inquestionáveis) referentes à relatividade, incertezas a probabilidade na esfera da física, e nesse aparente “caos”, surge a Teoria do Caos:

“Quando tudo parecia incerto e relativo, a teoria do caos, já na segunda metade do século, veio, de certa forma, na direção oposta, ao demonstrar que também no sistema caótico existe ordem” (Revista Nova Escola, nº 25, p. 114).

As transformações descritas acima e outras, levaram Edgar Morin a definir princípios de reformulação do conhecimento humano para ajustar a realidade e a sociedade do conhecimento e da informação. Entre esses princípios, que são sete (Revista Nova Escola, nº 25, p. 114-115), destaco alguns:

-  Reintrodução do conhecimento em todo o conhecimento (pensamento crítico sobre o próprio pensar);

-  Princípio sistêmico (o todo é mais do que a soma das partes);

-  Ciclo retroativo (a causa age sobre o efeito e vice-e-versa);

-  Autoeco-organização (o homem se recria em troca com o ambiente);

-  Outros.

Os princípios de Edgar Morin vão além, evidentemente, do exposto acima, logo, este artigo não pretende esgotar o debate sobre, pelo contrário, pretende provocar os leitores sobre nossos modelos e paradigmas de pensamento. “Como pensar fora da caixa, como se diz nas empresas, se não conseguimos ver a caixa? Acha mesmo que vai mudar as coisas (e/ ou a si mesmo) pensando do mesmo jeito?".   

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