domingo, 27 de outubro de 2013

Quer entender o consumo? Estude a cultura!

Por que fogão no Brasil tem tampa? Você gosta de catchup na pizza? Qual a cor preferida das crianças? Entenda como fatores culturais influenciam decisões de consumo e por que toda marca precisa compreender isso




Só no Brasil fogão tem tampa. No sul do Brasil, uma parcela da população come pizza com maionese. No Rio de Janeiro, se tem o hábito de colocar catchup na pizza. Peça catchup numa pizzaria tradicional da cidade de São Paulo para você ver a olhada de repressão que o garçom te dará. Em algumas regiões do Nordeste se tem o costume de comer catchup no meio do feijão com arroz. Só no Brasil, alguns carros modelo SUV, como a EcoSport, por exemplo, possuem aquele pneu do step afixado na traseira do veículo à mostra para os demais motoristas da rua verem e, geralmente, envolvidos com capas estilizadas ou até personalizadas.

Só no Brasil máquina de lavar tem a abertura na parte superior e, geralmente com tampa de vidro, para a dona de casa brasileira poder ver a roupa revirando pra lá e pra cá, limpando e lavando. Há quem diga que uma parcela de pessoas que usam dentadura no estado de Mato Grosso do Sul tem o costume de colocar aparelho dentário na dentadura, justamente para que o fato de possuir aparelho tente negar a existência de uma prótese dentária. No Brasil, a cor do luto é o preto e no Japão a cor do luto é o branco (vi isso outro dia numa cena de funeral em um dos filmes do Bruce Lee).

Todos esses fatos, por mais esquisitos e até mesmo pitorescos que possam parecer, se dão fortemente por conta de um elemento chamado cultura. Estudar marketing, comunicação, branding e práticas do consumo em geral nos requer cada vez mais, na contemporaneidade, que compreendamos a cultura do consumidor. E o que é a cultura? Nada mais é do que esse acervo de conhecimentos que modela e modula boa parte das relações entre as pessoas. Cultura é aquele elemento central formado por uma mistura de questões sociais, econômicas, políticas de um determinado grupo.

É na cultura onde encontramos as respostas mais profundas para desafios e dilemas do processo de marketing hoje em dia. Ferramentas mercadológicas, teoremas de Paretto, cinco forças de Porter, teorias de estratégia competitiva, os exaustivos quatro “pês” de marketing, entre outros modelos são fundamentais para entender os processos de marketing e consumo em dia? Acho que sim. Mas quer compreender um pouco mais a fundo as verdadeiras motivações, desejos e comportamentos das pessoas? Vá estudar a cultura. Tire o snorkel e coloque o tubo de oxigênio. Mergulhe. E nada melhor do que se ancorar em outras áreas do conhecimento.

Vamos com outro exemplo! Recentemente um amigo que trabalha na área de pesquisa de mercado da Kibon/Unilever me disse que fizeram algumas seções de pesquisa, por meio da técnica de grupo focal (ou focus group, como habitualmente se fala no mercado), com grupos de crianças para se detectar novas cores de picolé que a Kibon deveria lançar no Brasil. E após as discussões com a criançada, quais foram as cores preferidas? Rosa? Laranja? Vermelho? Verde? Amarelo? Azul? Quem respondeu alguma dessas, errou. A cor favorita da molecada foi o preto. Sim, um picolé de cor preta. Absolutamente imprevisível e inusitado. E se lançarmos um picolé preto seria um tremendo sucesso? Eu não apostaria nisso. E justamente por isso que esse negócio chamado pesquisa é tão fascinante.

Mas por que o preto? Confesso que não sei a razão exata. Precisaria me aprofundar um pouco mais para encontrar respostas críveis. Mas acredito que a razão do porquê o preto foi a cor vencedora não esteja no marketing, mas sim na antropologia, na sociologia, na psicologia, na semiótica. No chamado Neuromarketing talvez? Eu acho que também não. Aliás, não quero soar como uma percepção leviana, mas eu acho que misturar Marketing com Medicina é forçar um pouco a barra. Pra mim, mergulhar nas ciências sociais e ler autores como Nestor Garcia Canclini, Jesus Martín Barbero, Gilles Lipovetsky, Gisela Castro, Rose de Melo Rocha e Maria Aparecida Baccega tem me dado respostas bastante lúcidas para todos esses dilemas e complexidades das relações entre pessoas e marcas. Aliás, estudar mais a fundo o porquê de o preto ter sido a cor favorita das crianças na pesquisa talvez nos traga evidências sobre por que a meninas piram hoje em dia nessas bonecas vestidas de vampiras e monstros. Isso particularmente me inquieta.

Muito de minha visão nesse despretensioso texto é fruto de um curso de mestrado que estou para concluir hoje na ESPM/SP na área de comunicação e práticas do consumo. Estudamos o consumo não como consumismo, não como uma mera relação de troca entre bens e valores monetários. Discutimos o consumo não à luz de teorias clássicas de comportamento do consumidor, como a de Abraham Maslow e tantos outros. Pensamos o consumo como uma apropriação social, sinérgica e simbólica. Consumir hoje em dia é estar na sociedade. Consumir é se inscrever em algo. Consumimos o tempo todo, desde um maço de cigarros que compramos na esquina até mesmo uma lata de Coca-Cola que seguramos na mão ou uma telenovela a que assistimos. Consumimos sempre. Negar o consumo é negar que vivemos em sociedade.

Ah, por que diabos só no Brasil fogão tem tampa? Oras, por conta de uma questão cultural. Mais que isso: para a dona de casa brasileira, e só para a brasileira, por mais que a cozinha não esteja com aquele brilho impecável, o ato sígnico de se abaixar uma tampa de fogão significa: “Pronto! Missão cumprida! Posso curtir minha novela e meu maridão”.



Dica do dia



Dilma diz que governo vai desburocratizar abertura de empresas

Dilma reconheceu que atualmente o processo de abrir empresas no país é uma "via sacra"




A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira que o governo vai simplificar os processos de abertura e fechamento de empresas no Brasil através da criação de um portal na Internet, que possibilitará o registro ou encerramento de firmas com prazo máximo de cinco dias em 95 por cento dos casos.

Em entrevista a uma rádio de Minas Gerais, Dilma disse que o país vai evoluir de um "processo medieval" de criação e fechamento de empresas para um mundo digital. “A desburocratização é um tema em relação ao qual nós temos de avançar. Nós precisamos, quero te dizer que nós vamos simplificar os procedimentos que as empresas precisam seguir no Brasil, tanto para ser abertas como para ser fechadas", afirmou a presidente.

Dilma reconheceu que atualmente o processo de abrir empresas no país é uma "via sacra", em que se faz necessário comparecer a vários balcões, apresentar inúmeros documentos e cumprir exigências redundantes, com elevado gasto de tempo e dinheiro.

A Secretaria da Micro e Pequena Empresa, criada pelo governo neste ano com a missão de reduzir a burocracia enfrentada pelo setor, está construindo e vai implantar no próximo ano a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (Redesim) para agilizar os processos, segundo a presidente."Ferramentas tecnológicas, portais, aplicativos e softwares permitem que o país dê um salto", afirmou. Dilma também citou a desoneração da folha de pagamento do Varejo, de 20 por cento para 1 por cento sobre o faturamento, e o Super simples como medidas adotadas pelo governo para ajudar o comércio.



sábado, 26 de outubro de 2013

O brasileiro que veste a Coca-Cola

Hoje sediado na Costa Rica, onde comanda o Centro de Excelência em Design da Coca-Cola para a América Latina, Raphael Abreu também dirigiu a equipe que desenvolveu a logo dos Jogos Olímpicos do Rio 2016




Por mais que seja uma marca consolidada globalmente há décadas, nem mesmo a Coca-Cola pode se dar ao luxo de não pensar sua presença localmente, em cada praça onde atua. E um dos estágios mais importantes desse processo é a definição de estratégias e estruturas visuais. Afinal, nenhum produto faz sucesso mal vestido. No caso da Coca, todo o trabalho nessa área, na América Latina, é comandado por um brasileiro, Raphael Abreu.

Hoje sediado em San Jose, na Costa Rica, Raphael comanda o Centro de Excelência em Design da Coca-Cola para a América Latina. É de lá que ele coordena as equipes que têm como atividade cotidiana pensar e colocar em prática as identidades visuais de todos os produtos da marca. Ao todo, são 31 países, cinco idiomas diferentes e culturas que, por mais que mantenham vínculos fortes, são muito singulares. (A propósito, nosso colunista Marcos Hiller publicou nesta semana um artigo excelente sobre o peso dos fatores culturais para um negócio).

Então, como saber qual a melhor maneira de apresentar a Sprite na Colômbia, a Coca Zero no Suriname ou o Guaraná Jesus no Maranhão? É sempre um processo que envolve estudos, atividades locais com o público (como foi a escolha da nova identidade visual do Jesus, quando a Coca-Cola o adquiriu), testes etc. Mas sempre sob o olhar atento do Centro de Excelência em Design.




Sobre esse trabalho, Raphael – que estará no Brasil no começo de novembro para participar do 5º Festival Ibero-Americano de Criatividade e Estratégia - conversou com nossa equipe no ADM Talks que você pode conferir abaixo:




Rio 2016

Raphael Abreu também foi responsável por coordenar a equipe que criou a logo dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016. Quando ainda estava no Brasil, a equipe comandada por ele na agência Tátil venceu a seleção aberta pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). “Esse trabalho, eu posso dizer que foi o resultado da sobreposição do trabalho de vários designs. A gente fez uma coisa bem coletiva e ali entrou a perspectiva de muita gente sobre o que o briefing propunha, que era mais do que representar os jogos, representar a cidade”, destaca Raphael.




Ao todo, 139 agências brasileiras disputaram a concorrência aberta pelo COB. Oito delas passaram para a fase final. “Isso acabou sendo um projeto muito desejado por todos os designs que participaram. Quando a gente chegou na agência com o briefing, todo mundo se interessou. Então, acho que o trabalho também teve esse espírito, de ser algo que muita gente queria fazer e nos dava uma responsabilidade ainda maior”, acrescenta Raphael.



“A Menina que Roubava Livros” furta duas páginas do The New York Times

Divulgação do filme "A Menina que Roubava Livros" traz páginas em branco no jornal The New York Times para mostrar a falta que as palavras fariam se não existissem




Folhas brancas contendo apenas cabeçalho, número da página e, em uma delas, rodapé com a URL wordsarelife.com, chamaram a atenção dos leitores do The New York Times nesta quarta-feira (23).

A novidade foi uma ação realizada para divulgar a versão cinematográfica do livro de Markus Zusak "A Menina que Roubava Livros", visto que cada anúncio publicitário feito em uma página completa do jornal custa mais de US$ 100 mil. O filme vai estrear nos EUA próximo mês e está previsto para chegar ao Brasil no final de janeiro.

A 20th Century Fox convocou a agência 42 West para idealizar a campanha cujo objetivo era ressaltar a importância das palavras e mostrar como a ausência delas faria falta. O marketing de "Imagine um mundo sem palavras" foi bem sucedido: além da repercusão em torno do “desaparecimento” das construções gramaticais, o acesso ao site do longa cresceu 788%.




Dica do dia



Competitividade no Mercado e Competitividade para Administradores




Para Porter(1993), o conceito mais adequado para a competitividade é a produtividade. A elevação na participação de mercado depende da capacidade das empresas em atingir altos níveis de produtividade e aumentar com o tempo. A estratégia empresarial teve sua origem na teoria neoclássica, pois estava de olho no desempenho (lucro da entidade) que era explicado apenas pela estrutura de mercado (teoria estruturalista). A partir desta analise empírica do comportamento das empresas, dada a competitividade, buscou outra maneira de explicar o lucro, uma vez que somente através da estrutura de mercado não conseguia esclarecer como o lucro era obtido. Então o lucro passou a ser explicado a partir da conduta (estratégia) adotada pelas empresas (teoria comportamentalista).

A competitividade empresarial resume a obtenção de uma rentabilidade superior às empresas concorrentes em um determinado seguimento de atividade. Com o mercado cada vez mais aberto, outras empresas com produtos iguais, mas com melhores condições de preço e qualidade, podem, a qualquer momento, vir a competir numa determinada região. É importante a empresa ter qualidade no âmbito nacional. Portanto é preciso cada vez mais ter "qualidade total" e estar preparado para a competição global que está cada vez mais frequente, pois diariamente novos concorrentes entram no mercado.

As vantagens de fazer a análise de custos, baseia se numa pesquisa minuciosa por preços mais baixos, sendo assim, uma produção em grande quantidade, compra de muita matéria- prima, faz com que a empresa encare de frente seus concorrentes. Assim as empresas se esforçam para, conseguirem preço muito mais baixo e tornando o mercado bem competitivo tanto para conseguirem mais clientes como para conseguirem mercadorias de boa qualidade com preços excelentes para revenda.
No geral as empresas que ainda estão se inserindo no mercado, tem custos mais elevados em comparação as empresas já existentes no mercado, causando grandes dificuldades de se manterem no mercado, pois as marcas existentes já tem a preferência do cliente e as novas empresas precisam “cativar” os clientes, tendo que fazer grandes investimentos em publicidade para chamar a atenção do público.

Em clima de grande rivalidade entre competidores, cria se um meio ameaçador aos gestores, o qual entram em dificuldades em obter os recursos necessários as empresas, sendo necessárias várias estratégicas que sejam viáveis. Caso os gestores não estiverem preparados acabam sendo “engolidos” pela concorrência que diga se de passagem é gigantesca, por isso a necessidade de que os administradores estejam sempre preparados para os desafios com longas visões estratégicas.


“Se o clima for de baixa competitividade, os gestores terão melhores oportunidades para garantirem os recursos necessários para cumprirem os objetivos”. (Wikipedia, Gareth R. Jones, 2009)


Carina Silva,  Momento do Administrador, 26 de Outubro 2013.