sábado, 8 de outubro de 2016

Respeito é algo que se constrói aos poucos...




Respeito é bom e todo mundo gosta.

Mas lá no começo da história do mundo civilizado a palavra não tinha nada a ver com sentimentos.


A palavra, em latim, era o tempo passado de um verbo que significava “olhar para trás”. E é desse antigo sentido que derivou uma expressão ainda hoje usada em correspondências de empresas: “Com respeito à nossa conversa da última semana…”.

A frase não quer dizer que a conversa em questão mereceu qualquer reverência especial. Quer apenas dizer que a pessoa se lembrou da conversa.

O sentido moderno da palavra veio daí: ao se avaliar uma pessoa, olha-se para trás, para o passado dela, e decide-se que tipo de estima ou de credibilidade ela vai merecer.

Respeito é algo que se constrói aos poucos…

Respeito, portanto, não é algo que se exige, nem é algo que se obtêm de graça. É algo que se constrói aos poucos.

Quando numa discussão alguém diz “Eu respeito o seu ponto de vista”, a tradução é: “Sua história mostra que você já teve outros pontos de vista que pareciam errados, mas que no fim deram certo”.

E, quando um chefe diz “Me respeite porque eu sou seu chefe”, ele está confundindo a admiração que o cargo merece com o respeito que ele, como ocupante, ainda não fez por merecer.

E, quando um dirigente de futebol diz “Nós temos um passado de glórias que precisa ser respeitado”, isso significa que o time atual não merece respeito algum e vai acabar na segunda divisão.

Se os estagiários de empresas são pouco respeitados, não é porque não terão um bom futuro, mas porque ainda não construíram um bom passado.

A história mostra que há duas maneiras práticas de conseguir respeito: uma é pela força e a outra é pela inteligência.

O gigante Golias tinha a força. O pequeno pastor Davi tinha apenas um estilingue. E respeito, como Golias aprendeu, não é ter muito. É saber usar com inteligência o pouco que se tem.

O primeiro passo para quem quer ser chefe é se preocupar com a construção de uma imagem de respeitabilidade, que até pode começar devagar, mas vai se solidificando com o passar do tempo.

Momento do ADM, Diego Andreasi - 08 de outubro 2016.


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Qual a melhor forma de motivar seus funcionários?




Quando você for o chefe, precisará ter uma equipe altamente motivada para produzir algum resultado dentro da empresa.

Isso é o bê-a-bá quando se estuda liderança e creio não ser nenhuma novidade para você, correto?

Se você for procurar a definição para a palavra Motivação irá encontrar uma infinidade delas…

Para facilitar esse trabalho, deixo aqui uma bem simples:

Motivação é um conjunto de boas razões para alguém decidir se mover de onde está e fazer alguma coisa útil.

É isso o que a palavrinha latina movere quer dizer: mexa-se.

Chefes precisam motivar seus subordinados para que eles alcancem os objetivos. Ponto.

A questão é que a lista dos motivos dados pelos chefes para que os seus funcionários se mexam nem sempre os entusiasma.

E isso se deve ao fato (que as empresas relutam em admitir) de que os funcionários não trabalham para o sucesso da empresa. Eles trabalham para o sucesso de si mesmos.

Seu principal objetivo não é o futuro da empresa. É a construção de seu futuro e de suas famílias.

Toda pesquisa de clima organizacional que eu faço na qual eu entrevisto todos os funcionários de uma empresa esse motivo sempre aparece. As vezes intrinsicamente, mas sempre aparece.

Por isso, os chefes que melhor conseguem motivar seus subordinados são os que mostram o que se pode ganhar com mais motivação.

E existem dois tipos de chefe: os que pregam que o sucesso da empresa poderá resultar no sucesso de cada um e os que acreditam que o sucesso de cada um é o que fará o sucesso da empresa.

No primeiro caso, o recado do chefe é: “Trabalhem mais, que um dia a recompensa virá“.

No segundo, o chefe procura maneiras imediatas de reconhecer e premiar os que mais se destacam.

Não por acaso, os chefes do segundo grupo são os que constroem equipes mais motivadas.

Você certamente sente isso como subordinado e só precisa não esquecer disso quando for chefe.

Momento do ADM, Diego Andreasi - 07 de outubro 2016.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Como saber se você está perto ou longe de ser promovido?




Por que um funcionário exemplar, que sempre foi fiel à empresa e que sempre conseguiu bons resultados, muitas vezes é passado para trás na hora de uma promoção?

Por que a empresa resolve contratar alguém de fora, ou, pior ainda, promover alguém de dentro, mas menos competente? Isso é justo?

A resposta talvez não agrade a quem já viveu, ou está vivendo, uma situação desse tipo.

A decisão da empresa não é baseada apenas no que o funcionário fez no passado. É baseada, principalmente, no que ele pode fazer no futuro.

O bom desempenho de um funcionário através dos anos é compensado com salários e gratificações.

Pode-se dizer que um bom passado é o que garantiu o emprego até agora. Mas a carreira profissional é irregular.

Alguns degraus são mais curtos, outros são mais longos. Os primeiros degraus são baixos e fáceis de subir, os últimos são bem mais altos e mais difíceis.

Para ser promovido, um funcionário precisa demonstrar, na prática, que já está com um pé no degrau seguinte.

A empresa precisa ver nele certas características que sua função atual não exige, mas que o próximo degrau irá exigir.

Por exemplo, liderança, planejamento e escolaridade.

Se a empresa não enxerga claramente essas precondições, ela prefere manter o funcionário onde ele está. Porque promovê-lo seria arriscado tanto para a empresa quanto para o próprio funcionário.

Essa é a regra.

Um funcionário é respeitado pelo o que foi. E é promovido pelo que poderá ser.

Isso, evidentemente, é mais uma aposta que uma certeza. Uma parcela dos que são promovidos irá decepcionar, mas esses casos serão minoria porque as empresas sempre acertam muito mais do que erram.

Mas, voltando ao seu caso, que é o que realmente interessa: você está apenas fazendo muito bem o seu trabalho, ou está se preparando para ser promovido?

Você já sabe tudo o que sua empresa espera de um chefe, para ter os atributos necessários quando a oportunidade surgir?

Se não sabe, não custa perguntar ao seu chefe, a alguém da área de recursos humanos, ou a ambos.

Momento do ADM, Diego Andreasi - 06 de outubro 2016.


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Entenda a diferença a entre carreira e emprego




Quem almeja ser chefe não pode nem pensar em começar a vida profissional pensando apenas no curto prazo. Essa será a diferença entre ter um emprego e construir uma carreira.

Um emprego é uma atividade que gera recursos para pagar as contas que vencem ao final de cada mês. Já uma carreira é uma série de decisões que um profissional vai tomando ao longo de sua vida profissional para que as contas ao final de cada mês incomodem cada vez menos.

Emprego é uma atividade presente. Carreira é a preparação do futuro.

Um emprego sempre estará na dependência de decisões que são tomadas pela empresa. Carreiras dependerão principalmente de decisões pessoais.

Emprego é temporário. Carreira é permanente.

Mas não é necessário ficar mudando de empresa para construir uma carreira, pelo contrário, ela pode ser desenvolvida dentro de uma só empresa. Cada mudança de função, que implique em mais responsabilidades e mais salário, é um passo adiante em nossas carreiras.

Por outro lado, ter trabalhado em várias empresas, mas executando trabalhos semelhantes em todas elas, não é carreira, é uma sequência de empregos encadeados, o que significa que o próximo emprego será muito parecido com o último emprego.

Alguém que esteja fazendo a mesma coisa há cinco ou dez anos, sem alteração de função e salário, tem um emprego. Alguém que esteja trabalhando em uma empresa que não exige o conhecimento de inglês, mas decide estudar inglês, está pensando em uma carreira.

Carreiras são uma preparação contínua para o próximo emprego ou para o próximo cargo, que serão melhores do que os atuais, e que podem estar dentro ou fora da empresa atual. De modo geral, quem pensa em emprego, muda de empresa, mas não muda de patamar profissional.

Aqueles que não conseguem construir suas carreiras, procuram emprego. Quem consegue, é procurado. E chegará mais rapidamente a uma posição de chefia.



3 palavras que farão você repensar sua carreira

Preste atenção nas minhas palavras porque agora eu vou quebrar um paradigma!

Por incrível que pareça, um trabalho de alta qualidade não é mais algo raro.

Sim, eu sei que muitos se julgam a ultima bolacha do pacote, porém, eles estão errados.

A competência também não é mais algo raro. Pelo contrário, temos muitas excelentes opções disponíveis no mercado.

Se você estiver precisando de um bom arquiteto, é só me dizer que eu posso te recomendar pelo menos cinco deles.

Um advogado? Um dentista? Um engenheiro? Um consultor de negócios?

É tolice não admitir que exista uma enorme quantidade de boas coisas a comprar e boas pessoas a contratar.

Agora, existem três elementos que estão em falta no mercado, e são justamente eles que fazem com que alguns excelentes profissionais se tornem bem-sucedidos, enquanto que outros, também excelentes, ficam pelo caminho.

São eles: a Confiança, o Vínculo e a Surpresa.

É exatamente por isso que você vai ao mesmo mecânico há 15 anos.

É justamente por isso que você corta o cabelo no mesmo lugar desde quando era criança.

Ou no mesmo açougue, ou na mesma padaria, enfim, acho que já deu para sacar a ideia…

Cada vez mais, nosso sucesso não está em ser o líder do preço baixo, mas sim, em ser o líder de alta confiança.

Confiança-Vínculo-Surpresa.

Se você puder oferecê-los, considere-se um profissional diferenciado.

Momento do ADM, Diego Andreasi - 05 de outubro 2016.


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Não seja um caçador de erros alheios




Em seu trabalho, há um colega que vive falando dos erros e defeitos dos demais?


Um colega que, mesmo sem ter um cargo que lhe permita agir assim, se comporta como se fosse um auditor das pequenas deficiências dos outros?

Todo setor costuma ter alguém assim.

Um, no mínimo.

Ele diz que faz isso só para colaborar, sem querer prejudicar ninguém, mas não devemos ter dúvidas quanto às reais intenções dele.

São ruins.

Ele é um caçador de erros alheios.

Como erros fazem parte da vida do profissional, o caçador tem sempre um campo fértil para explorar.

Às vezes o caçador é um diplomata disfarçado. Ele parece estar elogiando um colega, mas no meio do elogio dá um jeitinho de incluir uma referência a um erro que o colega cometeu.

E o que fica gravado depois da conversa é sempre o erro, porque é de nossa natureza dar mais atenção às exceções do que às regras.

Mas há também os caçadores de descarados, aqueles que simplesmente ignoraram os 99% de acertos e concentram suas baterias no 1% de erros.

Por que existe gente assim?

Porque há duas maneiras de alguém conseguir se destacar.

A primeira é mostrar que é bom. Já a segunda é mostrar que os outros não são.

Evidentemente, a primeira é bem mais difícil do que a segunda. Fazer um bom trabalho requer tempo, conhecimento, concentração e talento. Dizer que os outros são ruins só requer uma frase.

O caçador de erros alheios é um profissional inseguro. Ele compensa a falta de confiança para competir de igual para igual ressaltando os aspectos negativos de seus competidores.

Sabem que também está sujeito a erros, ele se previne mostrando que os outros também erram e amplificando os erros alheios para que os seus próprios erros pareçam menores.

Como muitos tipos com os quais ninguém gosta de conviver, o caçador de erros alheios faz parte da paisagem das empresas.

Mas há um jeito de neutralizá-lo.

Os profissionais bem-sucedidos com os quais eu convivi tinham a habilidade de reconhecer e anunciar seus erros, antes que alguém o fizesse, e de imediatamente dizer o que fariam para não errar novamente.

Esses profissionais nunca foram incomodados pelos caçadores de erros porque já não havia nada para caçar.

E chegaram a posições de chefia, enquanto o caçador continuava procurando novas vítimas e não saia do lugar.

Momento do ADM, Diego Andreasi - 03 de outubro 2016.


domingo, 2 de outubro de 2016

Como a mudança de ICMS está destruindo os e-commerces




O assunto da moda agora no universo do Empreendedorismo é a vigência da nova regra do ICMS. Muitos empreendedores, acreditem se quiser, estão DEIXANDO de comemorar suas vendas, tamanha a burocracia que foi imposta pelo governo. Medidas drásticas estão sendo tomadas por esses pequenos empresários, muitos estão preferindo fechar as portas, enquanto outros estão vendendo apenas para os seus Estados de origem.

Entenda mais sobre o caso no relato desse empreendedor logo abaixo. Por sinal, foi um dos melhores textos que li nos últimos tempos na internet…

Os desafios de empreender no Brasil

Somos uma empresa enxuta. A regra é simples: Se adiciona valor ao cliente, fazemos. Se não, paramos de fazer. Resumidamente, o que não gera valor, gera desperdício.

Um dos maiores aprendizados que tive como empreendedor é separar uma coisa da outra e, com isso, aprendi a importância e o poder da palavra não.

O que acontece é que quando dizemos sim para alguma coisa, estamos automaticamente dizendo não para todas as outras. Aprendendo a utilizar melhor — e mais frequentemente — nossos “nãos”, ganhamos mais “sims” para usar com aquilo que realmente importa.

E o que realmente importa?

Desde o início, sempre foi claro para nós que o objetivo final da nossa empresa é atender as necessidade das pessoas. Afinal, são elas que decidirão, ou não, fazer negócios conosco. Sempre vimos todo e qualquer retorno financeiro apenas como um resultado da nossa capacidade de resolver estas necessidades delas.

Como consumidor, sempre achei interessante a inversão de prioridades que muitas empresas tem: contratam cinco pessoas para digitar pedidos, gerar notas fiscais e fazer viravoltas contábeis, legais ou não, para tentar reduzir marginalmente os impostos, mas automatizam seu atendimento e mandam e-mails padrão para os seus clientes quando precisam de ajuda.

“a gente deixou de ser uma empresa com foco no cliente para ser uma empresa de administração de papelada”

De fato, algumas destas atividades são necessárias, mas a verdade é que não geram valor ao cliente. Elas não fazem as pessoas quererem mais o seu produto e muito menos fazem que elas estejam dispostas a pagar mais por ele. Afinal, o verdadeiro valor de algo é aquele que as pessoas estão dispostas a pagar. É assim que conseguimos quantificar a relevância do que fazemos.

Como encontramos tempo para focar no que importa?

Em todas as empresas existem processos e burocracias que não agregam valor ao cliente, mas que não podem ser deixados de lado: seja para controle interno ou por requerimento do governo.

Nestes casos, utilizamos a tecnologia como uma grande aliada. Ela nos permite automatizar estes desperdícios obrigatórios, ou demandas que não geram valor, nos poupando tempo valioso para focar na criação de ótimos produtos e oferecer um atendimento realmente pessoal, ajudando nossos clientes como as pessoas completas que são.

Felizmente, os números tem comprovado a importância e a eficácia desta clara definição de valores. Enquanto as diferentes crises nacionais e mundiais acontecem, tivemos um crescimento muito acima do resto do país. Por que? Simplesmente porque ainda conseguimos entregar ao cliente um valor maior do que as barreiras que surgiram.

Mais importante do que isso, também alcançamos um índice de 99% de satisfação em 2015. Sabemos disso porque usamos o Zendesk para nos auxiliar com os nossos atendimentos. Todos os clientes são consultados sobre a experiência que tiveram depois de serem atendidos.

Isso significa que as coisas saíram perfeitas em 99% das vezes? Nem de perto. Significa apenas que as pessoas ficaram satisfeitas com o resultado final, independente do problema que possa ter acontecido. Nós gostamos de transformar os problemas — que inevitavelmente acontecem no dia a dia — em oportunidades para demonstrar a seriedade do nosso trabalho. Isso significa que, mesmo que a pessoa venha a pedir um reembolso, queremos que ela fique contente com a facilidade e a velocidade com que o processo se deu.

O tempo extra ganho pela grande redução de desperdícios nos permitiu focar na satisfação e na felicidade das pessoas, que por sua vez voltaram a fazer negócios. Isso fez a economia girar, a empresa crescer e as pessoas felizes, tendo acesso àquilo que desejavam.

O que isso tem a ver com a nova lei do ICMS?

Tudo. Acredito que a melhor forma de explicar o tamanho e o impacto das mudanças seja com um exemplo prático.

Segue abaixo uma comparação da burocracia necessária para entregar um produto antes de 2016, e agora. Para o exemplo, simulo a venda para o estado do Rio de Janeiro, considerando que somos do Rio Grande do Sul.

Os passos são difíceis de seguir, e este é exatamente o ponto. Peço que você faça um esforço para entender a burocracia criada e que todas as lojas online do país já são obrigadas seguir, em cada uma das suas vendas.

Antes de 2016:

  1. Gerar a nota fiscal eletrônica.
  2. Imprimir duas vias da nota fiscal.
  3. Adicionar uma via junto ao produto.
  4. Enviar o produto.
  5. Pagar a guia do imposto SIMPLES no final do mês.


Em 2016:

  1. Gerar a nota fiscal eletrônica.
  2. Imprimir duas vias da nota fiscal.
  3. Checar a tabela de alíquota de ICMS, de acordo com o seu estado e o do cliente.
  4. Calcular a diferença da alíquota interna e a alíquota interestadual entre os dois estados. No caso de uma venda do RS ao RJ, a alíquota interna é de 19% e a interestadual é de 12%. Ou seja, o valor da diferença de ICMS é de 7%.
  5. Dividir esta diferença de 7% em duas partes: 40% dela fica para o estado do cliente e 60% para o nosso.
  6. Entrar no site do SEFAZ e emitir a guia para pagamento dos 40% dos 7%que vai para o estado do RJ. Este site varia de acordo com o estado do cliente e os campos a serem digitados também mudam. Digitar as informações da sua empresa e da venda manualmente para emitir o GNRE — Guia Nacional de Tributos Interestaduais.
  7. Imprimir a guia do GNRE.
  8. Pagar a guia do GNRE.
  9. Imprimir o comprovante de pagamento do GNRE.
  10. Juntar a nota fiscal, a GNRE emitida e paga, assim como o comprovante de pagamento e coloque-os junto ao produto.
  11. Enviar o produto ao cliente.
  12. Pagar a guia do imposto SIMPLES no final do mês.


Se você achou o processo complicado, imagine chegar ao trabalho pela manhã e se deparar com 40 novos pedidos.

Em vez de ficar feliz com as boas vendas e seguir com os envios de forma ágil, o sentimento é de ansiedade e frustração em possivelmente não conseguir fazer tudo. Mais do que isso, a sensação de gastar o seu dia com tarefas repetitivas que jogam pelo ralo toda a sua capacidade intelectual para fazer algo muito mais útil.

A verdade é que vender bem se tornou um grande problema em nossa e em muitas outras empresas. Não porque não estamos preparados, não porque não temos os produtos. Simplesmente porque não damos mais conta da papelada. Não é interessante como conseguem inverter as coisas?

No dia a dia, os impactos disso se manifestam de diversas formas. O que acontece se algo der errado? Se a impressora falhar, se a internet cair, se a luz acabar, se o site do banco ou do próprio sistema de emissão da GNRE estiver fora do ar — o que já aconteceu — nossa trabalho se torna imediatamente um inferno.

Nestes casos, não podemos fazer os envios no prazo, os clientes mandam emails de frustração — os quais não podemos responder com a eficiência e atenção de sempre, exatamente pela grande demanda extra— abrem reclamações no Reclame Aqui e, no final, todos perdemos. Mesmo tendo tudo para darmos certo, nosso grande desafio é não entrar para o crescente grupo de empresas brasileiras que cobram demais e entregam de menos.

Essas mudanças obviamente contribuíram imediatamente para mais um aumento de preços. Mais impostos, mais folhas da papel, mais tinta para a impressora e, principalmente, mais caríssimas horas de trabalho para fazer algo que não agrega valor algum. Até hoje, não conheci ninguém que decidiu comprar um produto porque foi necessário imprimir seis folhas A4 de notas fiscais, boletos e comprovantes para que ele fosse vendido.

Fico tentando entender esta competição de impostos entre estados. Se já pagamos o SIMPLES e todos os dados do comprador estão na nota fiscal eletrônica, num sistema integrado e computadorizado, porque simplesmente não incluem ali a nova alíquota e depois redistribuem a receita internamente? Ainda mais difícil de entender é a necessidade de termos pagar antecipadamente o imposto, produto por produto? Será que os estados não confiam entre si nem para repassar os impostos?

Com tanta distração, fica até fácil esquecer que somos uma empresa de acessórios de couro e que a nossa preocupação deveria ser entregar os melhores produtos e experiências possíveis, enquanto o governo facilita o processo e garante o poder de escolha e a liberdade das pessoas.

A realidade é que nos tornamos escravos e gastamos uma parte cada vez maior da nossa vida para sustentar um pequeno grupo ao qual se importa somente com o poder. Se não fazemos o que decidem, nos tiram inclusive o direito liberdade.

Consigo imaginar um futuro onde as crianças estão na escola, em um mundo muito mais livre e descentralizado, aprendendo sobre a nossa sociedade atual mais ou menos como estudávamos o feudalismo e nos perguntávamos: Como é que ninguém fazia nada?

Momento do ADM, Diego Andreasi - 02 de outubro 2016.


sábado, 1 de outubro de 2016

Não acredite no conto do Insubstituível




Surge uma oportunidade para você mudar de setor dentro da empresa.

Você gostaria de aceita-la porque percebe que no outro setor teria melhores chances de progresso do que tem em seu setor atual.

Seu chefe, entretanto, mela a sua possível transferência, alegando que você é muito importante e que sua substituição seria quase impossível.

Você gosta de seu chefe, que é boa praça e sempre o tratou bem. Então decide ficar onde está.

É um tremendo erro.

Seu chefe pode ser boa praça, mas não é um bom chefe. Se fosse, ele não colocaria empecilhos para você desenvolver sua carreira.

Poucos são os insubstituíveis…

No mercado de trabalho, existem de fato profissionais que são quase impossíveis de ser substituídos. Um deles é o aromista, nas empresas de perfumes. Ele é uma pessoa capaz de identificar 15 vezes mais odores do que nós, gente com olfato comum, e por isso ganha a mesma coisa que o diretor da empresa.

Se você não está ganhando os tubos, isso ó pode significar uma coisa: que é perfeitamente substituível.

Se, de repente, você decidir sair, pode ter certeza de que, no dia seguinte, a empresa encontrará alguém para ocupar o seu lugar.

Seu chefe possui uma característica que foi comum no século passado, a de se comportar como se fosse o dono de seus subordinados.

Na verdade, ao barrar as transferências, seu chefe não está pensando nem em você nem na empresa. Ele está pensando nele mesmo.

Ele está sendo egoísta, e egoísmo nunca foi algo saudável na relação entre chefe e subordinado.

Se você simplesmente conversar com ele, ouvirá muitos elogios ao seu trabalho mas as coisas continuarão no mesmo pé em que estão.

O que você deve fazer é começar a procurar opções no mercado, nem que seja para conseguir uma oferta para sair e usá-la para negociar sua transferência para outro setor da empresa.

Se você aceitar a situação atual, daqui a alguns anos estará no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa.

Perderá a chance de chegar a uma chefia e se lamentará por não ter sido mais proativo na gestão da própria carreira.

Momento do ADM, Diego Andreasi - 01 de outubro 2016.