quinta-feira, 7 de julho de 2016

6 competências de quem é promovido em plena crise




Num momento em que tantas empresas cortam investimentos e optam por demissões em massa, sonhar com uma promoção parece loucura. Mas não é.

De acordo com Lucas Nogueira - Gerente Sênior da Consultoria Robert Half, o processo de ascensão profissional sofreu grandes transformações com a crise econômica, mas continua sendo possível.

“Até dois ou três anos atrás, haviam muitas posições em aberto, inflação salarial e uma relativa facilidade em almejar um novo cargo. Era um cenário irreal,” afirma o especialista. Hoje, com a escassez de recursos a distribuição de promoções ocorre de forma mais criteriosa e, na opinião de Nogueira, meritocrática. "Mais do que nunca o executivo está sendo testado e precisa realmente se provar para subir hierarquicamente," explica ele.

Embora mais raras e disputadas, as promoções seguem acontecendo para profissionais que revelam certas competências técnicas e comportamentais. Veja a seguir algumas delas:

1. É flexível

O acúmulo de trabalho imposto pela crise revela quem são as pessoas mais “elásticas” da equipe. Enquanto algumas não aceitam fazer nada além das tarefas que ‘são pagas para fazer’, outras estão dispostas a incorporar novas atribuições sem se queixar. O segundo grupo tem mais chance de ganhar visibilidade na empresa e receber uma promoção hoje ou num futuro próximo.

2. Dá resultados mensuráveis

Quem é improdutivo não corre apenas o risco de não ser promovido: sua própria permanência no emprego está sob ameaça. Mais do que nunca, as empresas buscam e recompensam profissionais com alto rendimento. As promoções têm sido cada vez menos políticas, como no passado, e cada vez mais técnicas ou científicas, com base em números que comprovam a produtividade de cada um.

3. É capaz de ser líder mesmo sem ser chefe

Quem pretende galgar posições hierárquicas deve mostrar potencial para gestão. Em outras palavras, mostrar-se capaz de ensinar, inspirar e unir os demais, mesmo sem ocupar formalmente um cargo de chefia. Para liderar, é importante saber se comunicar de forma clara e didática, além de esbanjar inteligência emocional.

4. Não se deixa contaminar pela melancolia coletiva

A boa gestão das emoções não serve apenas para se posicionar como um líder natural da equipe: ela também é fundamental para manter o seu discurso positivo em meio ao desânimo geral causado pela crise. Espalhar negativismo entre os colegas, maldizer o chefe ou alimentar fofocas são atitudes que eliminam qualquer chance de crescimento na empresa. Quem tem potencial para ser promovido faz o contrário: tem um discurso otimista, resiliente e com foco no trabalho.

5. Investe em habilidades técnicas

Apostar numa pós-graduação é tão indispensável quanto garantir a qualidade das suas tarefas operacionais e por isso, tais atitudes tornaram-se decisivas na crise. As empresas precisam mais do que nunca de profissionais com excelência técnica. É fundamental exibir competências úteis para o dia a dia, como o domínio efetivo do inglês e das novas tecnologias.

6. Permanece curioso

O fantasma da demissão e o excesso de trabalho, duas consequências inevitáveis da crise, jogam contra o interesse e a disponibilidade de muita gente. Quem consegue fugir a essa regra se dá bem. Chama a atenção quem continua curioso para aprender e se mostra entusiasmado em discutir novos projetos.

Fonte: Exame.com

Momento do Administrador - 07 de julho 2016.


quarta-feira, 6 de julho de 2016

O Brasil alcançou sua pior posição em toda a história em competitividade. O que fazer agora?




Tenho conversado bastante com empresários e executivos em companhias de todos os tamanhos. Nesses encontros, o momento do Brasil sempre aparece no debate. Com um noticiário político e econômico tão intenso, vivemos há meses sob um estado de alerta. Trata-se de uma situação perigosa para empresas pois pode levar a uma paralisia das ações. Para não cair no pessimismo, devemos trabalhar com atitude, coragem e atenção redobrada na gestão. Eis aqui a minha receita para enfrentar esses tempos: manter o foco e atuar sobre os fatores que estão ao nosso alcance.

Entre as coisas que podemos controlar, a eficiência do negócio é uma das principais. Entendo que aí esteja uma oportunidade que as empresas brasileiras devem considerar nesse período turbulento. Vou usar como base o Índice de Competitividade Mundial 2016, um estudo feito pelo IMD, uma das principais escolas de negócios do mundo, com sede na Suíça. O Brasil está na 56ª colocação no ranking geral, à frente de apenas 4 países – a pior posição do País em toda a história do estudo. Para chegar ao resultado, o IMD analisa quatro aspectos: o desempenho da economia, a eficiência do governo, a infraestrutura e a eficiência empresarial. É sobre esta última que, acredito, executivos e empreendedores podem agir neste momento.

A eficiência das companhias atuando no Brasil também piorou no estudo do IMD. Neste item, o País encontra-se em 51o. lugar – perdemos 24 posições em cinco anos! A baixa produtividade colaborou para que o Brasil registrasse, na década passada, o mais alto custo do trabalho do mundo. Estamos na contramão. A análise do professor Arturo Bris, diretor do Centro de Competitividade Mundial do IMD, aponta que a produtividade e a eficiência estão comandando a competitividade dos países mais desenvolvidos, onde as empresas conseguem fornecer uma estrutura organizacional consistente para a força de trabalho prosperar. 

A tecnologia oferece inúmeras oportunidades de ganhos de produtividade e de eficiência, aumentando o desempenho dos negócios e reduzindo custos. As ferramentas de análise de dados são um bom exemplo. Elas estão permitindo às empresas obter um nível de detalhamento de informações sobre consumidores e concorrentes nunca antes visto. É uma verdadeira injeção de competitividade. Para se ter uma ideia, o mercado de business analytics deve atingir 811 milhões de dólares no Brasil.

Muitas empresas têm encontrado uma forma de obter eficiência ao transferir suas estruturas de TI para a nuvem. Uma empresa de contact center de São Paulo, por exemplo, levou seus datacenters para a nuvem e obteve uma redução de 50% nos custos de infraestrutura de servidores nos primeiros 12 meses após a substituição.

Quando falo das conquistas que a tecnologia pode proporcionar, gosto de contar a história do Tribunal de Justiça de São Paulo, que eliminou o consumo de toneladas de papel ao tornar os processos 100% digitais. Um ganho notável de eficiência: a tramitação de processos ficou 70% mais rápida e os magistrados 50% mais produtivos. Em cinco anos, a economia de papel evitará a derrubada de 100 mil árvores.

A nuvem torna o poder computacional quase infinito, facilmente acessível e proporciona economias de escala nunca antes imaginadas. Esta combinação favorece a inovação e abre a oportunidade de repensar processos de negócios inteiros, bem como a nossa forma de trabalhar e de viver. Se os resultados aparecem quando exploramos as oportunidades, o momento é de experimentar modelos mais inteligentes nas variáveis que podemos controlar.

Momento do Administrador, Paula Bellizia - 06 de julho 2016.


terça-feira, 5 de julho de 2016

O Reino Unido deixará a União Europeia. E você e o seu emprego com isso?




Em uma decisão histórica, o Reino Unido decidiu em um plebiscito deixar a União Europeia. Talvez, você esteja se perguntando o que você, no Brasil ou em qualquer outro lugar fora do Reino Unido, tem a ver com isso. Muito mais do que você imagina.

Para começo de conversa, as Bolsas despencaram em todo o mundo, sinalizando que as expectativas para os resultados das empresas e a economia mundial pioraram, mas por quê?

Razões não faltam. A decisão vai reforçar um movimento anti-establishment, nacionalista e populista na Europa e nos EUA, aumentando a incerteza sobre o futuro. Isto leva empresas a serem mais cautelosas em seus investimentos e, por consequência, reduz a geração de empregos e o crescimento da economia mundial.

Desde a virada do milênio, o ritmo de crescimento médio dos países desenvolvidos foi apenas a metade do que era nas três décadas anteriores. Ainda mais grave, ele favoreceu quase que exclusivamente os detentores de capital, à medida que um movimento em direção a taxas de juros negativas – já há mais de US$9 trilhões em títulos pagando taxas de juros negativas nos países desenvolvidos – gerou bolhas de ativos financeiros, mas o fraco desempenho econômico fez os salários subirem menos do que a inflação, isto é, caírem em termos reais. O resultado é que mesmo nos EUA, o país desenvolvido de melhor desempenho econômico neste milênio, a renda mediana é hoje menor do que há 30 anos em termos reais. Em outras palavras, pela primeira vez na história dos EUA, o americano médio está pior de vida do que estavam seus pais com a mesma idade. Isto está gerando muito ressentimento e, como infelizmente é comum nestes casos, um forte movimento de caçar as bruxas e culpar imigrantes e estrangeiros.

Nas últimas eleições na Europa, populistas e nacionalistas avançaram de forma significativa em praticamente todos os países. Os exemplos mais marcantes foram o SYRIZA e o Amanhecer Dourado na Grécia, o Partido do Povo Suíço na Suíça, o Movimento das Cinco Estrelas e a Liga do Norte na Itália, o Partido do Povo Dinamarquês na Dinamarca, o Podemos e o Cidadãos na Espanha, o Jobbik na Hungria, o Finlandeses na Finlândia, a Frente Nacional na Franca e o UKIP no Reino Unido. Na atual campanha presidencial americana não é diferente, com Donald Trump e Bernie Sanders tendo desempenhos muito mais fortes do que ninguém de bom senso poderia imaginar até recentemente.

A saída do Reino Unido da União Europeia reforçará movimentos anti-imigrantes e o separatismo, o que não só reduz o crescimento global por enfraquecer o comércio internacional, mas abre espaço para tensões mais graves, inclusive bélicas. É bom lembrar que o projeto de interdependência entre os países europeus por meio da União Europeia tinha dois objetivos: acelerar o crescimento econômico e reduzir o risco de conflitos bélicos em uma região que deu à luz duas guerras mundiais no século XX. Ambos saem agora enfraquecidos.

Para piorar, o choque econômico negativo vem em um momento em que a economia mundial já estava cambaleante e onde há ao menos duas grandes bolhas de ativos que podem representar riscos para a economia mundial.

Olhando a economia mundial, Europa e Japão já tinham desempenho muito fraco e, provavelmente agora serão jogadas em novas recessões. Entre os BRICS, Brasil e Rússia já estão em recessão e a China crescendo menos do que crescia até recentemente; só a Índia ainda ia bem. Os EUA vivem desde 2009, a recuperação econômica mais lenta desde o pós-guerra e a incerteza eleitoral e a possibilidade de alta da juros pelo Fed – ainda que cada vez mais remota – também não colaboram. Em resumo, passou a haver um risco real de uma nova recessão global.



No lado financeiro, a situação é ainda mais grave. Entre as muitas bolhas financeiras infladas pela injeção de dezenas de trilhões de dólares na economia mundial pelos bancos centrais dos países desenvolvidos após a crise financeira global de 2008, há ao menos duas que podem funcionar como gatilho para uma nova crise financeira global.

A primeira vem dos EUA. Enquanto a recuperação econômica pós-2009 foi a mais fraca desde o pós-guerra, a alta da Bolsa nos EUA foi a mais forte desde então, em função de lucratividade recorde das empresas. Isto foi possível por vários fatores que já não estão se sustentando:

  • Em 2008 e 2009, a crise financeira global fez o desemprego atingir o nível mais alto em mais de 30 anos nos EUA, derrubando salários, colaborando para aumentar a lucratividade das empresas americanas. Desde então, o desemprego vem caindo e hoje já é menor do que 5%, o que sugere que os salários devem subir, reduzindo os lucros das empresas;
  • A exploração do gás de xisto fez a produção de energia nos EUA dobrar desde 2008, tornando a energia nos EUA mais barata do que no resto do mundo, enquanto o preço do petróleo estava elevado nos mercados internacionais. Quando, recentemente, o preço do petróleo caiu de mais de US$100 por barril para a faixa de US$50 ou menos, esta vantagem competitiva das empresas americanas foi perdida porque o custo de extração americano é relativamente elevado;




  • Em 2010, o dólar estava bastante desvalorizado em relação à maioria das outras moedas mundiais – incluindo o Real - tornando as exportações americanas baratas em quase todo o mundo, o que ajudou muito nas vendas das empresas americanas. Entre 2010 e 2015, o dólar foi se valorizando cada vez mais – o que deve ser reforçado pela saída da do Reino Unido da União Europeia – e as exportações de produtos americanos, que antes chegavam baratas ao resto do mundo, hoje chegam caras, reduzindo suas vendas;
  • Com juros baixíssimos e mais recentemente até negativos, as empresas americanas conseguiram reduzir seus custos financeiros, aumentando lucros e ainda aproveitaram para emitir dívida e usar os recursos para recomprar ações. Assim, mesmo nos casos em que os lucros das empresas não cresceram, os lucros por ações aumentaram porque o número de ações – o denominador da equação – diminuiu. Com isso, as dívidas das empresas cresceram bastante, tornando-as vulneráveis a eventuais altas dos juros. Quando a taxa de juros sobre de 5% a.a. para 6% a.a., o custo financeiro de uma empresa aumenta 20%. Quando ela sobre de 0,1% a.a. para 1,1%, para a mesma elevação de 1 p.p., o custo financeiro aumenta 1000%.


Para completar, a concentração de renda no país é a mais elevada desde 1900. Todas as vezes que ela chegou a níveis próximos aos atuais  - em 1929, em 2000 e em 2008 – tivemos estouros de bolhas acionárias. Isto acontece porque quando há muita concentração de renda e, portanto, muitos têm renda muito baixa, a única forma que eles têm de aumentar o consumo é endividando-se cada vez mais. Este grande endividamento acaba causando uma crise de inadimplência quando a taxa de juros ou o desemprego sobem. Está aí o Brasil, que não me deixa mentir.



Por fim, não só os lucros das empresas americanas já estão em queda há quase dois anos e devem continuar caindo, mas a razão Preço/Lucro das ações americanas está no segundo nível mais elevado desde 1870, quando considerado o lucro médio de todo um ciclo econômico – ou o CAPE para os aficionados dos jargões financeiros. Apenas na Bolha da Nasdaq as ações americanas estiveram mais caras. Quanto mais cara a Bolsa fica por este indicador, maior costuma ser a queda quando ela começa a cair.



Com todos estes ingredientes, uma queda súbita do S&P500, o principal índice da Bolsa nos EUA, de cerca de 50%, como aconteceu em 2008/2009, não será nenhuma surpresa, mas se ocorrer, jogará o mundo em uma nova crise financeira global.



Se os problemas econômicos globais e financeiros americanos não fossem o bastante, há ainda uma enorme bolha de crédito e imobiliária na China que pode vir a estourar em função de uma recessão global e/ou estouro de bolha acionária nos EUA.

Começando pela bolha imobiliária, ela é a maior já vista no planeta ao menos desde 1900 – período para o qual eu consegui dados para analisar. Só para dar uma ideia, o pico de lançamento de casas e apartamentos no Brasil atingiu, em 2013, 200 mil unidades; nos EUA, em 2005 – no auge da bolha imobiliária - chegou a 2,2 milhões de unidades e na China chegou a 22 milhões de unidades no ano passado.

Por outro parâmetro, o consumo anual per capita de cimento, o pico na bolha imobiliária americana de 2008 mal passou de 400kg. Na mais inflada bolha imobiliária que já estourou – ao menos comparando este indicador – a coreana de 1997 – ele chegou a 1.550 kg. Na China, atualmente, ele supera 1.700Kg. Lembrando que o dado é por habitante. Se há uma coisa que não falta na China é habitante.

Quando bolhas imobiliárias estouram, compradores de imóveis e construtores não conseguem honrar suas dívidas com o setor financeiro, causando grandes perdas ao setor financeiro e fazendo bolhas de crédito estourar.

Quando, em setembro de 2008, este mecanismo fez a Lehman Brothers quebrar, dando início à crise financeira global, o total de ativos no sistema financeiro americano era de US$ 6 trilhões. No sistema financeiro chinês, havia pouco mais de US$3 trilhões. Desde então, a China inflou uma bolha de crédito em um ritmo nunca antes visto. Hoje, o total de ativos no sistema financeiro chinês é de mais de 15 trilhões – duas vezes e meia o que era nos EUA quando quebrou a Lehman Brothers – a maior parte direta ou indiretamente relacionada ao financiamento da bolha imobiliária. E isto sem nem considerar o enorme sistema de financiamentos extrabancários – shadow banking – e o grande volume de financiamento a empresas chinesas de construção através do mercado de capitais internacional. Em resumo, é difícil de imaginar que quando a bolha imobiliária chinesa estourar, não tenhamos uma nova crise financeira global, talvez a mais séria que a geração atualmente viva já viu.

Ainda é cedo demais para saber se a saída do Reino Unido Unido da União Europeia será apenas a queda de um dominó isolado – tomara – ou o primeiro de uma sequência de dominós cada vez maiores e mais conectados a outros dominós, com o potencial de impactar a vida de todos no planeta de forma significativa nos próximos anos.

Para nós no Brasil, em particular, isto é muito importante porque, como venho salientando, o Brasil isoladamente tem hoje todas as condições de retomar o crescimento econômico de forma mais rápida e forte do que quase ninguém imagina se retomar a confiança de investidores, empresários e consumidores, colocando as contas públicas em ordem com a aprovação das reformas de limite de gastos públicos e Previdência. Minha convicção com relação a isto é tão grande que me dei ao trabalho de escrever o livro Depois da Tempestade para explicar as razões em detalhes.

No entanto, o Brasil não é uma ilha. O que acontece no resto do mundo nos impacta, às vezes de forma determinante. Logo quando a tempestade brasileira dá os primeiros sinais de que pode passar, formam-se as nuvens do que pode vir a ser uma grande tempestade global.

Momento do Administrador, Ricardo Amorim - 05 de julho 2016.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Demitam os bajuladores. Líderes competentes não precisam deles




Bajuladores criam um campo de distorção da realidade. Não seja um deles

A maioria das pessoas, que tenha um mínimo de experiência de trabalho, certamente já passou por problemas com bajuladores. Em empresas maiores, ao sermos contratados, somos convidados a conhecer o planejamento estratégico da empresa (de longo prazo). Geralmente, implementado através de um Balanced Scorecard  - BSC. Lá estão descritos os objetivos, metas, indicadores, missão, visão e valores.  Estes artefatos, no geral, nos sugerem a acreditar que àquela empresa possui um consistente sistema de monitoramento e controle de gestão.

De fato, é muito interessante que líderes possuam bons indicadores, objetivos e metas para alcançar. Para isto, em geral, as empresas dividem o seu mapa estratégico nas 4 perspectivas padrão, que são: "financeira", "processos internos", "clientes" e "aprendizado e crescimento".

Aqui vai uma pergunta "difícil": destas 4, qual delas é realmente valorizada pela maioria das empresas? Complementando: entre um conflito de metas de uma perspectiva e outra, qual é a perspectiva que tem maior prioridade?

Acertou quem responde financeira.  Tudo bem que os autores Kaplan e Norton argumentam que o BSC surgiu para ter um equilíbrio de perspectivas e não ter só a visão financeira...

Mas,  Você ainda tem dúvidas? Consulte os indicadores de sua empresa. Aposto que encontrarás indicadores financeiros (faturamento) sendo medidos mensalmente, ou em menor periodicidade. Já àqueles de relativos à satisfação dos colaboradores, às vezes, são mensurados anualmente, através de instrumentos como pesquisa de clima, não é mesmo?

Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta.

Já sabemos que, geralmente, os objetivos financeiros são os mais valorizadas institucionalmente. Seguimos: uma pergunta interessante poderia ser:

O que acontece se os gestores perceberem que não estão conseguindo atingir as metas? 

Para resolver este problema, soube de gestores que mudavam a fórmula de cálculo dos indicadores, para seu benefício. Um exemplo típico foi a alteração realizada no indicador de nível de desemprego no Brasil.

Também soube, casos onde se alterou o período de apuração dos indicadores, para poder maquiá-los.

Um destes, foi o de uma empresa, de cosméticos, que não estava atingindo os indicadores de satisfação dos colaboradores. A pesquisa era aplicada sempre em dezembro. Um belo ano, a empresa resolveu mudar o período de aplicação para março, após fazer a "limpa" anual de demissões, antes do dissídio,  de empregados que não estavam "alinhados" com seus gestores. Só com este "plano de ação", conseguiram aumentar em 20% a satisfação dos colaboradores. Eu acho que era só para enfeitar, a palavra "ética"  encontrada, em um dos quadrinhos de "missão, visão e valores", na sala de recepção.

Se as metas são S.M.A.R.T e os gestores forem bons líderes,  eles alcançarão bons resultados. E se não chegarem, conseguirão de fato, apurar as reais causas e trazer um desempenho superior à média do mercado para suas empresas. Se entretanto, não possuírem competência gerencial desenvolvida, precisam encontrar outra forma de sobreviverem corporativamente. Uma forma, é fazer uso de bajuladores.  Ou "puxa-sacos", como preferirem.

Um fato importante a citar é o seguinte:

Em uma empresa que  prospera  a cultura do "puxa-saquismo", os resultados tendem a diminuir cada vez mais, ao longo do tempo. 

Independente se os resultados estão maquiados ou não. Diminui, igualmente! Isto acontece, porque os melhores profissionais perdem a motivação quando não há meritocracia, e acabam  procurando outros empregos. Uma parte considerável dos pedidos de demissões, é o funcionário que está se demitindo do chefe incompetente, e não da empresa, necessariamente.

Os bajuladores são servos, cujas principais características são os seguintes:

  • Elogiam, sem motivos;
  • Fomentam rumores e produzem intrigas;
  • Servem de informantes;
  • defendem seus chefes indiscriminadamente;
  • sempre buscam privilégios e benefícios;
  • manipulam e são manipulados.



Entretanto, o principal desserviço prestado por eles é este:

Bajuladores criam um campo de distorção da realidade.

Funciona da seguinte forma: No geral, quando gestores possuem bons resultados, são valorizados. E o que acontece com aqueles que nada produzem? Precisam, de alguma forma, aparentar, que sim, para sobreviverem. Desta forma, utilizam-se de bajuladores, que em troca de privilégios, passam a dar apoio em decisões de interesse próprio do gestor, que acabam sendo políticas e não técnicas.

Qual o problema para a empresa, já que ele é o gestor, certo? O problema é este:

Decisões técnicas produzem resultados técnicos. Decisões políticas produzem resultados políticos.

Como os bajuladores criam um campo de distorção da realidade? Quer um exemplo? Quem já não participou de alguma reunião importante, onde o gestor ao ser questionado ou criticado, tecnicamente, pelos seus subordinados,  não foi interrompido por um colega bajulador, defendendo o ponto de vista do chefe sem fundamentação lógica ou dados que embasem o seu pensamento?

Sem dados, você é apenas mais uma pessoa com uma opinião.

A bajulação, de certa forma, é utilizada para aumentar o poder do chefe. Se na reunião citada, ninguém se opusesse, ao ser criticado, o gestor teria sido obrigado a se posicionar claramente para defender o seu ponto de vista. Algo extremamente benéfico para a empresa. Com a ajuda do bajulador, o gestor não precisará se expor.

O maior perigo da bajulação, para o gestor, é que ela cega a visão da realidade. Um conjunto permanente e periódico de elogios, pode proporcionar ao elogiado, uma falsa sensação de segurança e inteligência, já que as pessoas parecem concordar sempre com o seu ponto de vista. Desta forma, este será sempre agraciado com informações distorcidas, que muitas vezes, não refletem a gravidade ou a urgência dos problemas. A primeira coisa que eu aconselho aos novos gestores é o seguinte:

Livre-se dos puxa-sacos. A bajulação só ocorre com a permissão e o fomento do bajulado.

Lembre-se que quem bajula, busca benefícios. Líderes que trabalham com meritocracia não toleram bajuladores. Além da questão ética, e de prejudicar o desempenho da equipe, bajuladores não são confiáveis, pois procuram ascensão no poder de qualquer forma. Se puxam o saco, também podem puxar o tapete do chefe, quando este não o for mais útil.

Entretanto, se somos  colegas  de mesma hierarquia no trabalho? Não é fácil responder esta pergunta. Acredito que um comportamento que pode ser eficiente ao ter colegas com este perfil, é realização do seu trabalho sempre com  foco nos resultados para a empresa, e ter dedicação, ética e conduta ilibada.

Bajuladores  e bajulados caem sozinhos, cedo ou tarde.

A escolha está entre conviver até cair, ou procurar outro emprego, e não ser prejudicado na carreira. Os melhores profissionais tendem a escolher a segunda opção.

Abraços,

Momento do Administrador, Humberto Moura - 04 de julho 2016.


domingo, 3 de julho de 2016

Bom relacionamento entre colegas de trabalho




Além de nos relacionarmos bem com nossos familiares e amigos, precisamos cuidar dos relacionamentos junto aos colegas de trabalho. Afinal, é no trabalho que passamos a maior parte de nosso tempo. Existem vários tipos de pessoa, vários temperamentos, atitudes, etc. São as diferenças individuais. Experimente lidar com alguns tipos comumente encontrados da seguinte forma:

  • Amargurado: Dê-lhe uma palavra de conforto, de apoio moral, pois isso conquistará não só a simpatia dele, mas também a dos outros. Uma das técnicas de relação humana de maior poder é a bondade.
  • Atrevido: Encurte a duração do contato, dando urgente solução ou breve encaminhamento ao problema ou assunto de seu interesse.
  • Complexado: Evite tocar em seu ponto fraco, fazer chacotas, brincadeiras, colocar apelidos, etc.
  • Apressado: Tenha destreza no atendimento: se não puder despachá-lo logo, pelo menos mostre que está fazendo o máximo para isso.
  • Conhecido: Seja cortês sem que, no entanto, sejam ultrapassados os limites da discrição e do respeito mútuo.
  • Desconfiado: Prefira o recurso da sugestão, falando com firmeza.
  • Desorientado: Dê orientação detalhada, seja persuasivo.
  • Distraído: O jeito é ser um tanto insistente, repetindo informações, etc.
  • Fraterno: Não se limite a retribuir gentilezas, algumas vezes tome a iniciativa da amabilidade.
  • Inibido: Seja paciente e o ajude a “sair da casca” fazendo-lhe perguntas de fácil resposta.
  • Maledicente: Convém distinguir os que são apenas bonachões dos que são maledicentes. Com os maledicentes, que são os “fuxiqueiros”, nada fale e, se possível, ouça menos.
  • Perturbado: A situação foge do âmbito da normalidade. Dependendo do teor da perturbação, pode-se convidar a sentar, oferecer um cafezinho e chamar a chefia superior para atendê-lo.
  • Presunçoso: Quando já não suportar suas constantes exibições, não se dê ao esforço inútil e perigoso de dizer o que ele merece ¯ adote simplesmente a política do distanciamento.
  • Vaidoso: Seja caridosamente indiferente, deixando-o em paz com sua doce e débil fantasia de genialidade.
  • Zangado: Antes de tudo, ouça; deixe-o falar sem estabelecer discussão... Depois de ter escutado tudo tranqüilamente, inicie a troca de idéias aceitando os seus sentimentos. 


A seguir, externe palavras de apreço, destacando a educação que ele manifesta em ouvi-lo. Exponha então seus pensamentos ordenadamente, de maneira impessoal e com clareza, pois o importante é você ser compreendido. Dê oportunidade a ele de fazer indagações. Se for contestado, ouça novamente com serenidade e recomece percorrendo o caminho crítico até aqui descrito. Vez por outra se refira a ele pronunciando-lhe o nome. Esgotados os seus argumentos apele para a nobreza que ele talvez não tenha, mas apreciará demonstrar possuir. Se ao cabo de todas essas manobras ele ainda continuar zangado, das duas uma: ou “ele tem mesmo toda razão” e neste caso somente lhe resta pedir desculpas, agüentando as conseqüências, ou ele está perturbado, e aí precisa ser ajudado.

Momento do Administrador, Sonia Jordão - 03 de julho 2016.


sábado, 2 de julho de 2016

O Bom Humor no Ambiente de Trabalho




Passamos grande parte dos dias trabalhando, lidando com pessoas, equipes e com nossos superiores. Freqüentemente somos pegos de surpresa em situações alheias às nossas estimativas, ao planejamento, fora de nosso controle. Desenvolvemos nossas atividades muitas vezes sem todos os recursos operacionais necessários, sem estrutura, com equipamentos defasados, sem ar condicionado, com quedas de conexões constantes e para completar, quase sempre dependemos da formalização de determinada tarefa de alguém que não possui o mesmo ritmo que o nosso, gerando atrasos que nos trazem correrias, retrabalhos e horas extras.

Se ao ler o parágrafo acima você teve uma sensação de déjà vu minha sugestão é a seguinte: sorria!

Ficar irritado, impaciente, rabugento e agressivo não melhorará em nada os resultados em seu ambiente de trabalho, ao contrário, sua aparência de pouca simpatia causará distância dos colegas, os clientes reclamarão de você e seus superiores afirmarão que você não possui equilíbrio emocional e nem capacidade para trabalhar com as ferramentas disponíveis. Toda organização terá algo a mais para se melhorar, seja em qualificação de seus profissionais, seja em procedimentos ou estrutura. Assim como nós, as empresas passam por processos constantes de melhorias e muitas destas são realizadas em longo prazo.

Há vários estudos realizados sobre a importância do bom humor no ambiente de trabalho. O psicólogo norte-americano James Lin afirma que “quem ri junto, trabalha melhor” pois as energias positivas vindas do bom humor e do sorriso proporcionam a melhoria no ambiente de trabalho.

É certo também que as pessoas bem humoradas e sorridentes desencadeiam um clima mais amigável e participativo dentro do ambiente de trabalho, até pelo fato de que todos se sentem com vontade de se aproximarem, dialogarem e trocarem informações. Já esta situação ocorre de forma contrária em lugares contaminados pelo mau humor das pessoas inibindo quaisquer acessos positivos e carismáticos de terceiros.

Um ambiente bem humorado torna-se mais criativo e produtivo enquanto um meio mal humorado é pessimista, menos flexível e pouco criativo, apresentando ainda grandes resistências a mudanças, e desta forma, limitado em seus resultados devido à falta de motivação em buscar alternativas estimulantes para realização das atividades.

Apesar da importância do bom humor no espaço de trabalho, é necessário que esteja presente também nos níveis hierárquicos mais elevados, pois são as referências para toda a equipe de colaboradores. Se os próprios Diretores de uma empresa, por exemplo, forem extremamente fechados e mau-humorados irão refletir em toda sua equipe, parte dessa imagem, minimizando o bom clima entre os subordinados e automaticamente, reduzindo a criatividade, produtividade, satisfação e motivação.

Para se conseguir o bom humor em um ambiente de trabalho, além de ser um traço do perfil de cada indivíduo, é necessário reconhecer algumas condições que geram a satisfação profissional e também influenciam na escolha dos candidatos. Irei relacionar algumas:

Busque uma profissão em que possa desenvolver diariamente o que você sabe fazer de melhor, e com a qual mais se identifica;

Busque sua felicidade. Não deixe para depois, não esconda seus sentimentos. Lute pelo que realmente acredita;

Se há alguma situação em que se sinta desconfortável, resolva-a o quanto antes. Guardar este desconforto, apenas aumentará seu desgaste;

Aja sempre com naturalidade, seja você mesmo;

Capacite-se com freqüência. Participe de cursos, palestras, treinamentos, seminários. O aprendizado é importante para manter-se atualizado e competitivo, além de melhorar sua criatividade;

Saiba ser tolerante com quem ainda não compreendeu seu temperamento ou seu estilo de vida. Faça amigos, seja pró-ativo e participativo.

Conte uma piada, converse, fale sobre algo que achou interessante e sorria. Revele seu carisma e simpatia para todos aqueles que dividem seu espaço. Mas lembre-se: sempre com moderação.

Momento do Administrador, Wagner Campos - 02 de julho 2016.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Boas maneiras nas empresas




As empresas demitem muito mais por mau comportamento do que por falta de conhecimento. Portanto, é importante agirmos com boas maneiras e principalmente sermos éticos em nossas ações. Algumas regras simples e que funcionam:

  • Ser cortês com clientes internos e externos e ainda com todos os públicos relevantes.
  • Planejar a ausência ao trabalho, sempre que possível, de modo a permitir fluxo normal das responsabilidades.
  • Ser pontual em termos de horário de trabalho e observar prazos estabelecidos.
  • Demonstrar interesse pelo próprio desenvolvimento, participando de reuniões, encontros, eventos de formação e treinamento.
  • Zelar pelo bom nome da empresa. Agir de forma irrepreensível, dentro e fora da organização. Nunca falar mal da empresa em locais públicos.
  • Não fumar quando esta prática é proibida.
  • Apresentar-se sóbrio ao trabalho.
  • Agir de modo participativo, de modo que um problema em qualquer ponto da organização seja responsabilidade de todos. Responsabilidade sua, principalmente.
  • Ter moral elevado e contribuir para manutenção do clima de trabalho em alto nível.
  • Zelar pelo bom nome dos colegas. Varrer de sua vida a fofoca, por mais "bem" intencionada que seja.
  • Saber usar a Internet quando está na empresa. Não enviar currículo. Não navegar atrás de pornografia. Evitar ficar muito tempo usando a Internet para fins particulares.
  • Ser breve ao telefone e atender com educação.
  • Observar políticas, normas e procedimentos.
  • Ter cuidado com a higiene pessoal.
  • Evitar as brincadeiras. Podem ter a função de aliviar a tensão do grupo em determinado momento e em outros poderá levar um grupo a fugir de uma tarefa.
  • Trabalhar sempre com base em fatos. Não julgar baseando-se em suposições.
  • Avaliar os riscos de cada decisão que tomar. Medir cuidadosamente as conseqüências do seu ato em relação a todos os envolvidos.
  • Atender a todos os clientes da melhor maneira possível, não importa qual seja sua função.
  • Ser comprometido com a organização onde trabalha, não desgastar a imagem da empresa. 
  • Deficiências internas não devem ser levadas para o cliente externo.
  • Todas as promessas ao cliente, inclusive as mais informais, devem ser cumpridas.
  • Saber ouvir. É aconselhável ouvir mais do que falar, especialmente em se tratando de reclamações e consultas de clientes.
  • Evitar competições e rivalidades: estas não atendem aos interesses das organizações. É necessário cultivar boas relações dentro e fora das equipes.


Momento do Administrador, Sonia Jordão - 01 de julho 2016.